Pular para o conteúdo principal

Educomunicação, Direitos Humanos e Território: quando a escola escolhe ouvir

Ao longo dos últimos anos, vivi intensamente a força que a educomunicação tem quando encontra uma escola que decide não silenciar seus estudantes. A educação digital, os direitos humanos e o território deixaram de ser conteúdos e passaram a ser encontros — encontros que transformam quem ensina e quem aprende.

Depois de 27 anos na escola particular, foi na escola pública que encontrei aquilo que sempre procurei: propósito. Aqui, cada projeto nasce de uma necessidade real. Cada atividade reflete o território. Cada voz que se levanta revela histórias que antes estavam escondidas. E cada produção dos estudantes mostra o quanto eles têm a dizer quando encontram espaço, acolhimento e confiança.

A Imprensa Jovem, os podcasts, o Grêmio Estudantil, os projetos socioambientais, o TCA, as trilhas, as ações comunitárias, as rodas de conversa e as práticas digitais não surgiram como atividades extras — surgiram como caminhos para que os estudantes pudessem existir de forma plena. Porque comunicar também é um direito. E direito só existe quando pode ser exercido.

Este trabalho mostra que:

✨ a tecnologia pode ser humana, afetiva e ética;

✨ o território é um grande educador;

✨ os estudantes são protagonistas naturais quando são escutados;

✨ a escola pública é um espaço onde a cidadania se constrói todos os dias.

Aqui, educomunicação e direitos humanos se encontram.

Aqui, o laboratório vira espaço de convivência.

Aqui, cada projeto é uma forma de dizer aos estudantes:

A sua voz importa. O seu território importa. Você importa.”

E quando a escola escolhe ouvir, tudo muda.

Muda o olhar.

Muda a convivência.

Muda o território.

Mudam as vidas.

É dessa transformação que nasce este registro — vivo, cotidiano, afetivo e profundamente comprometido com a educação pública que pulsa, resiste e reinventa o futuro todos os dias.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Da Periferia à Velocidade Elétrica: Jovens Vivem a Emoção da Fórmula E

Amanhã será um dia inesquecível para os estudantes da Imprensa Jovem da EMEF Humberto Dantas. Nossa equipe participará da cobertura do último treino da Fórmula E, acompanhada de outras escolas da rede municipal de São Paulo. Esse convite representa mais do que uma atividade externa: é uma oportunidade única de vivência, aprendizagem e encantamento — especialmente para alunos que nunca estiveram presencialmente em um evento automobilístico. O que é a Fórmula E? Criada em 2014, a Fórmula E é a principal categoria de automobilismo totalmente elétrica do mundo. Os carros não utilizam combustíveis fósseis; são movidos exclusivamente por energia elétrica, o que reduz drasticamente emissões de carbono e ruídos, trazendo um novo olhar para o futuro da mobilidade urbana. Além de competição esportiva, a Fórmula E é um grande laboratório de inovação sustentável: - Testa tecnologias de baterias e motores elétricos; - Incentiva o desenvolvimento de cidades inteligentes; - Promove a cons...

Educomunicação socioambiental: por que precisamos falar sobre isso nas escolas?

Tenho pensado muito sobre o quanto a Educomunicação Socioambiental precisa estar presente nas nossas escolas. E não estou falando apenas de trabalhar reciclagem, fazer uma atividade no Dia do Meio Ambiente ou conversar sobre economizar água. Tudo isso é importante, claro, mas hoje precisamos ir além. As questões ambientais estão na nossa frente, fazem parte do cotidiano dos nossos estudantes e, muitas vezes, estão literalmente do outro lado do portão da escola. É o lixo acumulado, o córrego poluído, a falta de árvores, o calor cada vez mais intenso, as enchentes, os espaços públicos que precisam de cuidado. São situações que nossos alunos conhecem porque fazem parte do lugar onde vivem. E é justamente aí que vejo a força da Educomunicação. Quando damos oportunidade para que os estudantes observem o território, façam perguntas, entrevistem pessoas, fotografem, gravem vídeos, produzam podcasts ou simplesmente conversem sobre aquilo que estão vendo, a relação com a aprendizagem mu...

BEM VIVER TÁ ON — Cartografias Educomunicativas das Juventudes

  Há lugares pelos quais passamos todos os dias e que, mesmo assim, pouco conhecemos. A rua da escola. A praça da frente. O comércio da esquina. As casas antigas que ainda resistem entre tantas construções novas. O córrego que um dia talvez tenha sido diferente. As árvores que estavam ali antes de nós. As pessoas que chegaram, as que partiram e aquelas que ajudaram a construir a história daquele lugar. Quantas vezes perguntamos aos nossos estudantes: você conhece realmente o lugar onde vive? Foi pensando nisso que nasceu uma nova inquietação e, junto com ela, uma ideia que quero transformar em estudo e ação: BEM VIVER TÁ ON — Cartografias Educomunicativas das Juventudes . Quero falar de pertencimento. Mas não daquele pertencimento que aparece apenas nos textos bonitos ou nas frases prontas. Quero falar do pertencimento que nasce quando conhecemos a história de um lugar, quando descobrimos quem viveu ali antes de nós, quando ouvimos as memórias dos moradores, quando percebemos as mu...