Grêmio Estudantil: desafios, desmotivação e a urgência de um novo olhar nas escolas municipais

O Grêmio Estudantil deveria ser um dos espaços mais potentes de participação juvenil dentro da escola. É nele que estudantes aprendem, na prática, o que significam democracia, diálogo, representação e protagonismo. No entanto, a realidade que muitas escolas municipais enfrentam mostra um cenário que exige atenção, cuidado e reconstrução.

Embora o Grêmio seja previsto em lei, reconhecido como um direito dos estudantes e defendido como recurso pedagógico, na prática ele ainda enfrenta barreiras que comprometem sua existência e sua força.

Desafio 1: A falta de apoio e parceria entre professores

Um dos maiores entraves é justamente aquilo que deveria ser seu principal sustento: o envolvimento da escola como um todo. Em muitos casos, o Grêmio Estudantil acaba sendo associado a apenas um professor — aquele que, com boa vontade, se voluntaria para acompanhar os estudantes.

Isso gera dois problemas:

- Sobrecarga para esse professor, que sempre está sozinho nas demandas do grupo.

- Falta de legitimidade institucional, já que o Grêmio deveria ser um trabalho coletivo da escola, não de uma pessoa isolada.

Sem o apoio dos demais professores, o Grêmio perde espaço, perde moral e, em alguns momentos, perde até mesmo credibilidade perante os próprios estudantes.

Desafio 2: A desmotivação dos estudantes eleitos

Os estudantes que chegam ao Grêmio Estudantil chegam com sonhos, ideias, energia e expectativas. Querem melhorar a escola, propor mudanças, organizar eventos, representar seus colegas.

Mas quando não encontram abertura para atuar, quando suas propostas não são escutadas ou quando percebem que precisam “pedir permissão para tudo”, algo importante se quebra: a chama da participação.

Não é raro ver grêmios que começam motivados e rapidamente se silenciam. Não por falta de vontade dos estudantes — mas por perceberem que não conseguem avançar sem adultos que os apoiem e validem seu protagonismo.

A falta de parceria docente afeta diretamente a motivação juvenil:

- projetos deixam de acontecer;

- reuniões perdem frequência;

- lideranças se sentem sozinhas;

- estudantes passam a achar que “nada muda”.

E quando o Grêmio se enfraquece, toda a escola perde uma oportunidade de ouro de fortalecer a convivência, a cidadania e o diálogo.

Desafio 3: A visão equivocada sobre o papel do Grêmio

ponto é a falta de compreensão sobre a verdadeira função do Grêmio. Em muitas escolas, ainda se vê o Grêmio como algo “decorativo”, “politizado demais” ou “dá trabalho”.

Mas o Grêmio não é festa, nem é problema. É formação cidadã. É educação política no sentido mais bonito e necessário da palavra.

O Grêmio ensina:

- organização e liderança;

- mediação de conflitos;

- diálogo entre pares;

- responsabilidade coletiva;

- respeito às diferenças;

- comunicação;

- participação democrática.

Sem esses elementos, a escola deixa de formar sujeitos críticos e conscientes — e passa apenas a repetir conteúdos.

A escola precisa de um novo olhar. Urgente.

Se queremos um Grêmio Estudantil forte, precisamos mudar a forma como ele é visto e acolhido dentro das escolas municipais. Isso exige:

✔ Apoio real da gestão - Não basta autorizar — é preciso acolher, orientar, legitimar.

✔ Envolvimento de mais professores - O Grêmio não pertence a um professor responsável: pertence à escola inteira.

✔ Reconhecimento do protagonismo juvenil - Os estudantes precisam ser ouvidos de verdade e ter autonomia para propor.

✔ Espaço fixo, calendário, visibilidade - O Grêmio precisa existir no cotidiano, não apenas no papel.

✔ Formação e acompanhamento continuados - Tanto para estudantes quanto para adultos.

Conclusão: fortalecer o Grêmio é fortalecer a escola

Um Grêmio Estudantil ativo melhora a convivência, dá voz aos jovens, promove soluções criativas para problemas reais e transforma a cultura escolar. Ele faz a escola respirar democracia.

Quando o Grêmio é ignorado, enfraquecido ou isolado, perdemos uma das mais belas oportunidades de educar para a vida em sociedade.

Por isso, chegou o momento de olharmos novamente para o Grêmio Estudantil — com mais cuidado, mais responsabilidade e mais coragem.

Porque nenhuma escola se transforma sem ouvir aqueles que vivem nela todos os dias: os estudantes.

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