Educomunicação socioambiental: por que precisamos falar sobre isso nas escolas?
E não estou falando apenas de trabalhar reciclagem, fazer uma atividade no Dia do Meio Ambiente ou conversar sobre economizar água. Tudo isso é importante, claro, mas hoje precisamos ir além.
As questões ambientais estão na nossa frente, fazem parte do cotidiano dos nossos estudantes e, muitas vezes, estão literalmente do outro lado do portão da escola.
É o lixo acumulado, o córrego poluído, a falta de árvores, o calor cada vez mais intenso, as enchentes, os espaços públicos que precisam de cuidado. São situações que nossos alunos conhecem porque fazem parte do lugar onde vivem.
E é justamente aí que vejo a força da Educomunicação.
Quando damos oportunidade para que os estudantes observem o território, façam perguntas, entrevistem pessoas, fotografem, gravem vídeos, produzam podcasts ou simplesmente conversem sobre aquilo que estão vendo, a relação com a aprendizagem muda.
Eles deixam de apenas ouvir sobre um problema e começam a falar sobre ele.
E isso faz muita diferença.
Nas experiências que tenho vivido com meus alunos e também nas trocas com outros educadores, percebo cada vez mais que os estudantes têm muito a dizer. Às vezes, o que falta é espaço para que sejam realmente ouvidos.
A Educomunicação cria esse espaço.
Um celular pode virar ferramenta de reportagem. Uma caminhada pelo bairro pode se transformar em pesquisa. Uma conversa com um morador pode trazer histórias que nenhum livro didático conta. Uma fotografia pode provocar uma discussão enorme dentro da sala de aula.
E, aos poucos, o estudante começa a olhar para o lugar onde vive de outra maneira.
Para mim, esse é um ponto muito importante: **pertencimento**.
Quando conhecemos melhor o nosso território, começamos também a perceber que fazemos parte dele. Entendemos seus problemas, suas histórias, suas riquezas e também nossas possibilidades de participação.
Tenho aprendido muito sobre isso acompanhando projetos de Educomunicação e, principalmente, trabalhando coletivamente com outros educadores no **GT Emergências Climáticas nos 4 Cantos da Cidade**.
Cada escola traz uma realidade. Cada território apresenta seus desafios. Mas quando começamos a compartilhar essas experiências, percebemos quantas coisas nos aproximam.
E é bonito ver o que acontece quando essas vozes se encontram.
A questão ambiental deixa de ser somente um conteúdo e passa a fazer parte das conversas, das produções dos estudantes, das pesquisas, dos vídeos, das entrevistas e das ações dentro e fora da escola.
Acredito muito em uma escola que ensina seus estudantes a observar o mundo, questionar aquilo que parece normal e perceber que eles também podem participar das mudanças.
Talvez seja justamente isso que mais me encanta na Educomunicação Socioambiental.
Ela não entrega respostas prontas.
Ela provoca perguntas.
E quando nossos estudantes começam a perguntar **“por que isso acontece aqui?”**, **“quem é afetado por isso?”** ou **“o que podemos fazer?”**, já começamos a construir alguma coisa.
Porque educação socioambiental também é isso: conhecer, ouvir, participar, cuidar e criar vínculos.
E a escola pode ser um lugar muito potente para começar.
Parabéns pela matéria, muito especial e necessária!
ResponderExcluirÓtima matéria paty
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