As águas que nos conectam: encontros, territórios e educomunicação

Há encontros que servem para apresentar trabalhos. Outros servem para reencontrar pessoas, conhecer novas experiências, ouvir, aprender e voltar para casa com mais perguntas do que respostas. O XI Encontro Brasileiro de Educomunicação tem um pouco de tudo isso.

Com o tema “As águas que nos conectam: Educomunicação, Territórios e Práticas Socioambientais”, o evento nos convida a pensar justamente nas conexões que construímos quando educação, comunicação, meio ambiente e território se encontram. 

E talvez a palavra que mais faça sentido para mim seja mesmo encontro.

No cotidiano da educação, estamos sempre correndo. São projetos, estudantes, reuniões, planejamentos, ideias que surgem no meio do caminho e tantos desafios que fazem parte da escola pública. Nem sempre conseguimos parar para olhar para aquilo que estamos construindo.

Estar em um evento como esse permite esse movimento.

É olhar para a própria prática, mas também conhecer o que outros educadores, pesquisadores e estudantes estão fazendo em diferentes territórios. É perceber que muitas das nossas inquietações também aparecem em outros lugares — e que as respostas podem nascer justamente dessas trocas.

Também foi nesse espaço que tivemos a oportunidade de compartilhar a experiência “Raízes e Identidades: Bem Viver e Educomunicação Socioambiental em Rede”, construída a partir do GT Emergências Climáticas nos 4 Cantos da Cidade.

O GT nasceu em 2025 e, em 2026, passou a direcionar seu olhar para as relações entre raízes, identidades, pertencimento e Bem Viver, articulando Educomunicação Socioambiental e Educação Ambiental. 

Mais do que apresentar resultados, quisemos compartilhar um processo que ainda está vivo.

Um processo no qual os estudantes são convidados a olhar para o lugar onde vivem, investigar suas histórias, ouvir pessoas, reconhecer problemas, mas também descobrir as potências existentes em seus territórios.

Porque falar sobre emergência climática não precisa significar falar somente sobre catástrofes.

Precisamos falar sobre os problemas, sim. Mas também precisamos perguntar: o que existe nesses territórios que merece ser conhecido, preservado e fortalecido? Que histórias ainda não foram contadas? Quem são as pessoas que constroem esses lugares todos os dias? Que cidade nossos estudantes desejam construir?

É aí que a educomunicação ganha ainda mais sentido.

Quando um estudante entrevista alguém da comunidade, produz uma fotografia, grava um podcast, cria um vídeo ou conta uma história sobre o lugar onde vive, ele não está apenas utilizando uma mídia. Está aprendendo a ler, narrar e participar do próprio território.

Na experiência apresentada, essa perspectiva representa justamente um movimento de superação de uma abordagem centrada apenas na denúncia climática para reconhecer também memórias, vínculos e ancestralidade, colocando os estudantes como sujeitos que investigam, narram e intervêm em seus territórios. 

E talvez seja isso que eu esteja levando deste encontro: a certeza de que precisamos continuar criando espaços para que nossas experiências circulem.

Uma escola aprende com a outra.
Um território conversa com outro.
Um estudante escuta outro estudante.
Um educador encontra outro educador.

E novas ideias começam a nascer.

No final, voltamos sempre à pergunta que também atravessa nosso trabalho:

Que cidade queremos construir? _ RAÍZES E IDENTIDADES_ Bem Vi…

Não temos uma resposta pronta.

Mas talvez o caminho comece justamente por aí: conhecer nossas raízes, reconhecer nossas identidades, escutar diferentes saberes e compreender que o território onde vivemos também pode ser um lugar de pertencimento, cuidado e transformação.

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