Em períodos eleitorais, parece que tudo fica mais barulhento
As redes sociais se enchem de falas, cortes de vídeos, acusações, erros, xingamentos, provocações e discussões que, muitas vezes, ultrapassam os limites do respeito. De repente, o debate sobre o futuro de uma cidade, de um estado ou de um país corre o risco de se transformar apenas em uma disputa para descobrir quem falou mais alto, quem errou mais ou quem conseguiu atacar melhor o outro.
Mas, enquanto discutimos tudo isso, uma pergunta precisa ser feita: e as questões socioambientais, onde estão?
Onde estão as propostas para enfrentar as enchentes que atingem tantos territórios? Para cuidar dos rios e córregos? Para ampliar a arborização das cidades? Para enfrentar as ilhas de calor? Para proteger os animais? Para cuidar das áreas verdes, das nascentes e da biodiversidade?
Onde estão as discussões sobre mudanças climáticas, descarte de resíduos, saneamento, qualidade do ar, segurança alimentar, moradia em áreas de risco e preparação das comunidades para eventos climáticos extremos?
Essas questões não podem aparecer apenas quando acontece uma tragédia.
Como educomunicadores socioambientais, temos também a responsabilidade de ajudar a ampliar esse debate.
Educomunicar não significa dizer às pessoas em quem votar. Significa contribuir para que crianças, adolescentes, jovens e comunidades tenham acesso à informação, façam perguntas, investiguem seus territórios, confrontem informações, identifiquem problemas e participem das decisões que interferem diretamente em suas vidas.
Talvez, portanto, uma das perguntas mais importantes deste período eleitoral seja muito simples:
Que futuro estamos escolhendo?
Porque uma eleição também deveria ser um momento para perguntar aos candidatos e candidatas como pretendem cuidar das pessoas e dos lugares onde elas vivem.
Qual é a proposta para os bairros que alagam todos os anos?
Como serão protegidas as áreas verdes?
O que será feito pelos animais abandonados e pela fauna silvestre?
Como as escolas serão preparadas para situações de emergência climática?
Existem planos de prevenção, mapeamento de riscos e rotas seguras?
Que políticas serão desenvolvidas para enfrentar o calor extremo?
Como crianças e jovens participarão das decisões ambientais de suas comunidades?
Essas perguntas precisam circular.
Podem virar pauta de uma Imprensa Jovem, reportagem, podcast, entrevista, vídeo, fotografia, mapa do território, roda de conversa ou campanha produzida pelos próprios estudantes.
É justamente aí que a educomunicação socioambiental ganha força: quando deixamos de ser apenas consumidores do debate público e passamos a produzir perguntas, informações e narrativas sobre aquilo que também precisa estar no centro das decisões.
E há algo ainda mais importante: precisamos reaprender a discordar.
Democracia não deveria significar ausência de conflito. Pessoas pensam diferente, possuem histórias diferentes e defendem projetos diferentes de sociedade. Mas nenhuma divergência precisa ser transformada em humilhação, violência verbal ou desumanização do outro.
Educomunicação também é escuta.
É diálogo.
É participação.
É responsabilidade sobre aquilo que comunicamos e compartilhamos.
Em meio ao barulho das eleições, talvez nosso papel seja justamente ajudar a recuperar algumas perguntas que estão ficando esquecidas.
Quem está falando sobre o planeta?
Quem está olhando para os nossos territórios?
Quem está pensando nos animais?
Quem está ouvindo as crianças e os jovens?
Quem está planejando nossas cidades diante das mudanças climáticas?
O meio ambiente não pode ser apenas uma pauta para depois.
Porque, quando a eleição termina, continuamos morando na mesma cidade. Continuamos respirando o mesmo ar, utilizando a mesma água, convivendo com os mesmos rios, árvores, animais e problemas do território.
Os discursos passam.
O território fica.
E talvez seja justamente por isso que, como educomunicadores socioambientais, precisamos continuar fazendo perguntas.
Não para dizer às pessoas o que pensar.
Mas para lembrar que, enquanto todos discutem quem venceu uma fala, há um planeta inteiro precisando entrar na conversa.
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